Todos os invernos acontece o mesmo em praticamente todas as estâncias: as pessoas dedicam vários minutos a calçar as botas, ajustar as fixações e preparar o material, mas quase ninguém investe cinco minutos a preparar o próprio corpo antes de começar. O resultado é sempre parecido: as primeiras descidas fazem-se com os músculos frios, as articulações pouco ativas, e há mais risco de quedas ou pequenas lesões. Quer vás esquiar, fazer snowboard, freeride ou esqui de montanha, um bom aquecimento melhora a tua mobilidade, a tua estabilidade e faz com que o corpo responda melhor desde a primeira descida. Não é preciso uma rotina complicada, menos de dez minutos é suficiente.
Com frio, os músculos e as articulações precisam de mais tempo para se ativarem do que num dia normal. Se começas diretamente a descer uma pista ou a subir com peles de foca, o corpo ainda não está preparado para responder depressa às mudanças de terreno, às curvas ou a uma perda de equilíbrio repentina. Um aquecimento adequado ajuda a ativar a musculatura, melhorar a mobilidade articular, preparar o equilíbrio e a coordenação, e reduzir o risco de lesão muscular desde a primeira descida.
Um erro habitual é pensar que aquecer significa uma sessão completa de treino. Não é assim, cinco a dez minutos são suficientes. O importante não é a duração, mas sim trabalhar os movimentos que depois vais repetir sobre a neve.
Um pormenor prático que costuma passar despercebido é que a maioria destes exercícios se fazem melhor antes de calçares as botas de esqui ou snowboard, porque precisas que o tornozelo se mova com liberdade. Com a bota calçada, esse movimento fica limitado. Faz o aquecimento com roupa de rua ou com as botas ainda por apertar, e deixa as botas para o fim.
Algo que quase ninguém tem em conta é que se parares 30-45 minutos ou mais para almoçar, o corpo arrefece e perde boa parte da ativação conseguida de manhã, sobretudo se estiver frio. Não é preciso repetir a rotina inteira, mas uns joelhos, uns tornozelos e um par de agachamentos antes de voltares às pistas à tarde ajudam a que as primeiras descidas depois de comer não pareçam tão desajeitadas como as do início da manhã.
Ao contrário do início: uns minutos de alongamentos suaves e mantidos ajudam a relaxar a musculatura e podem reduzir a rigidez no dia seguinte. Presta atenção especial aos quadríceps, isquiotibiais, gémeos e glúteos, que são as zonas que mais trabalham durante um dia na neve.
Aquecer é uma das formas mais simples de reduzir o risco de lesão e melhorar as tuas sensações sobre a neve. E se além disso queres progredir mais depressa, uma aula com um professor faz o resto: melhor técnica, mais confiança, menos margem de erro desde o primeiro dia.